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ESG e as habilidades do profissional de RelGov do futuro

Por Raul Cury Neto


Primeiramente, é importante ressaltar que as habilidades que o profissional do futuro de RelGov precisa desenvolver não estão apenas ligadas à chegada de ESG no Brasil. Na verdade, a chegada de ESG apenas solidificou a necessidade da mudança de perfil e desenvolvimento de novas habilidades técnicas e comportamentais, que o futuro profissional de RelGov deverá desenvolver.


Felizmente, o Brasil vem experimentando uma significativa e importante mudança na área de Relações Governamentais nos últimos 10 anos, em decorrência de uma série de fatores econômicos, políticos e sociais. Os principais impactos dessa transformação estão diretamente ligados à enorme importância que a área passa a ter dentro das corporações (e consequentemente em toda a cadeia de stakeholders, passando por associações de classe, consultorias, ONGs, sociedade civil e chegando aos entes públicos), bem como à necessidade de um perfil moderno dos profissionais que lideram este mercado.


E, esse perfil moderno que passa a ser exigido por todos os profissionais que atuam na área tem como principal premissa a transparência na realização da atividade de interlocução entre o privado e o público. Além disso, nesse primeiro momento de transformação, entraram em cena outras habilidades técnicas e comportamentais que passam a complementar o perfil do profissional de RelGov moderno, como:

  • Atuação estratégica e técnica;

  • Conhecimento profundo do negócio e do setor;

  • Enorme capacidade de engajamento e perfil de liderança;

  • Habilidade e inteligência no uso da comunicação (Ex.: Utilização das mídias sociais para engajamento);

  • Foco na construção de políticas públicas;

  • Necessidade de desenvolvimento de relações internacionais com diferentes stakeholders;

  • Enorme proximidade e atuação em conjunto com outras áreas (como comunicação corporativa, gestão de crise, sustentabilidade, responsabilidade social e regulatório) correlatas para a construção de estratégias de LOBBY ou Advocacy.

Nesse contexto de mudanças positivas no setor, a profissão passou a ser reconhecida oficialmente no Executivo (pelo Ministério do Trabalho) e ganhou o termo oficial de Relações Institucionais e Governamentais. Assim o profissional de RelGov passa a ser chamado e considerado profissional de RIG, com um olhar, atuação e relevância muito mais ampla do que era no passado.


Mas, as mudanças não pararam por aí pois a chegada da pandemia (Covid-19) também contribuiu muito para o aumento da visibilidade da área e dos profissionais de RIG, pois foi e tem sido uma das principais áreas demandas dentro das corporações, tendo em vista o cenário de gestão de crise.


Além disso, a pandemia trouxe a necessidade de se modernizar ainda mais o perfil dos profissionais e de desenvolver novas habilidades, que serão imprescindíveis no futuro, como a capacidade de fazer Relações Governamentais também de forma virtual (com a utilização da tecnologia), e a habilidade de liderar e gerir crises em conjunto com outros stakeholders.


Na verdade, a pandemia apenas acelerou e antecipou algo que era iminente, pois o profissional de RIG do futuro deverá estar 100% conectado com a tecnologia e terá que saber utilizar a tecnologia com inteligência e a seu favor. Ainda, a gestão de crise passou a ser uma das competências do profissional de RIG moderno, independentemente desse escopo estar diretamente dentro ou fora do seu chapéu.


E não estamos falando apenas da atuação reativa perante uma crise mas, principalmente, a habilidade que o profissional moderno e do futuro precisará desenvolver para prevenção de crises visando defender a imagem e reputação da empresa no mercado, através do levantamento e identificação de todos os potenciais riscos do negócio, visando criar (juntamente com outros stakeholders importantes) medidas preventivas de segurança.


Trata-se, portanto, de uma atuação estratégica tanto no preventivo como no reativo de uma crise.


Começamos, então, a enxergar o profissional moderno de RIG cada vez mais imprescindível para as corporações (e isso impacta consequentemente em toda a cadeia, surgindo a necessidade de novos perfis de profissionais nas associações de classe, nas consultorias etc) e com uma atuação mais ampla e multidisciplinar, cumulando áreas que estão diretamente ligadas ao seu novo core business.


E, somando-se a todas essas recentes transformações e acontecimentos na área de Relações Governamentais, ESG (Environmental, Social and Governance) chega para consolidar a relevância que a área tem e terá no futuro para todas as empresas no Brasil, bem como acrescentar novas habilidades que o profissional do futuro deverá desenvolver, juntamente com seu novo papel de destaque no mercado.


O profissional do futuro de RIG, sem sombra de dúvidas, será um dos principais responsáveis pela construção e manutenção de um programa robusto de ESG nas empresas, além de ser um dos guardiões da reputação e imagem das companhias.


Esse profissional, em muitas estruturas, será responsável por todo pilar do S (social) nas empresas que abrange todas as questões da relação da empresa com seus empregados, fornecedores, parceiros, clientes e com as comunidades nas quais atua. Inclui ainda aspectos como apoio à diversidade e à não discriminação de qualquer grupo social, seja no ambiente de trabalho ou nas esferas públicas de ação das marcas, como campanhas de marketing e outros.


Temas como sustentabilidade, responsabilidade social, diversidade farão parte da agenda desses profissionais a partir de agora. Mas não é só isso, pois os profissionais de RIG do futuro também terão um papel importante na construção e manutenção dos pilares E (Ambiental) e do G (Governança).


Assim, também farão parte das agendas dos profissionais de RIG temas envolvendo a preservação do meio ambiente, como políticas para controle de emissão de CO2, eficiência energética, descarte do lixo, uso da água etc.


O profissional do futuro também terá grande impacto do pilar de governança, uma vez que engloba as melhores práticas de governança corporativa, ética do negócio, transparência na prestação de contas à sociedade e combate à corrupção.


Os profissionais de RIG do futuro, principalmente dentro das corporações, terão que ter ou desenvolver habilidades como:

  • Liderança e perfil colaborativo – capacidade de construir alianças e engajar todos os stakeholders internos necessários para construção e intensificações dos pilares ESG – Ex.: Área de Comunicação (comunicação interna, externa, PR) | RH | RI | Finanças | Jurídico | Compliance etc;

  • Visão holística – Cada vez mais necessário levar em consideração, nas interações com os diferentes níveis de Governo, os fatores tangíveis e intangíveis;

  • Perfil estratégico, capacidade analítica e foco em resultado – o profissional de RIG precisará saber trabalhar com metas, KPIs e mensurar resultados, entender o impacto de ESG na empresa, tudo isso para construção das suas estratégias;

  • Habilidade de fazer marketing positivo e de utilizar a comunicação de forma estratégica – mostrando os principais resultados alcançados, visando sempre um engajamento maior dos stakeholders internos e externos, bem como a preservação da reputação da empresa;

  • Passar a entender toda a governança interna de empresas de capital aberta e se conhecer o mercado financeiro e de capitais;

  • Habilidade no relacionamento com um novo público interno nas empresas – conselho, investidores e área de RI, pois esse profissional no futuro certamente fará parte do board e dos conselhos nas empresas;

  • Saber utilizar a seu favor cada vez mais a tecnologia e inovação.

Por fim, e considerando todas essas mudanças e evolução da área, bem como a relevância do papel do profissional de RIG, não tenho dúvidas de que no futuro esses profissionais farão parte do seleto rol de executivos aptos a ocuparem cargos de CEO e conselheiros dentro das corporações.




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