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RelGov e as Eleições 2022

Por Talía Felix, parceiro Radar Governamental


Para o profissional de Relações Governamentais, não há um período sequer que possa ser considerado tranquilo, mas em ano eleitoral as coisas realmente esquentam, desde o backoffice até o engajamento. Isso tudo porque faz-se necessária uma releitura de todo o cenário político-ideológico em âmbitos legislativo e executivo em razão das janelas partidárias que abrem espaço para que os parlamentares pulem de uma sigla para outra, muitas vezes reconfigurando toda a sua base e estrutura dentro da casa legislativa em que figure. Neste ponto, tudo o que já havia se desenhado para o RelGov vai por água abaixo; é preciso analisar as tais movimentações e o contexto que levou ao cenário atual, afim de buscar estratégias assertivas no momento do engajamento.


Nas Governadorias e Presidência da República não é diferente. Transições de secretários para outros cargos, membros do Legislativo em busca de conquistar a liderança do Executivo e até mesmo conhecidos nomes de um viés ideológico liberal se aliando a quem, em outrora, já foi seu maior rival esquerdista nas urnas tornam-se comuns aos olhos do eleitorado. E mais ainda ao profissional de RIG, que ao menos a cada 2 anos se vê diante deste turbilhão de mudanças extremamente relevantes para a nossa atuação.


Em tratando-se do backoffice, a operação de monitoramento legislativo também é atingida por essas movimentações, haja visto o aumento substancial na produção legislativa que é observada em anos eleitorais. Os parlamentares inevitavelmente tornam-se ainda mais presentes em suas pautas e comunidades; é inegável o esforço extra para conquistar o eleitorado para mais um mandato em sua cadeira na casa do povo, seja representando o mesmo partido da última legislatura ou em uma nova sigla. Consequentemente, as Comissões acabam sendo afetadas, pois seus membros são estes mesmos parlamentares vorazes – informação essa de extrema relevância para compreender os teores dos pareceres e deliberações dispensadas às matérias legislativas e principalmente para a eventual atuação nestes colegiados. É imprescindível conhecer o interesse daquele deputado ou vereador naquele assunto, e mais ainda que ele conheça, muitas vezes através do profissional de Relações Institucionais e Governamentais, o público-alvo da propositura em questão, além do impacto de sua decisão acerca do tema.


Já no Poder Executivo, essa dança se desenvolve com o mesmo vigor. Os chefes desta esfera ganham ainda mais visibilidade a cada sanção ou veto que é decidido, inclusive pelos próprios pares do parlamento que estão com os olhos vivos e muitas vezes críticos sob as decisões do líder, do municipal ao federal, gerando discursos e manifestações em plenário que podem surtir os mais diversos tipos de repercussão. E não apenas às decisões legislativas, mas ainda sobre as nomeações das pastas, quer seja uma indicação técnica ou não – neste período, tudo se perfaz como material para as análises do RelGov.


Finalmente, fecham-se as janelas partidárias, cessam-se as nomeações, chegam as eleições. Seria o fim da tormenta governamental? De forma alguma! O ano seguinte já se inicia com tudo novo, novamente. Definitivamente, para o profissional de Relações Governamentais, não há um período sequer que possa ser considerado tranquilo.

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