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RIG Como Fator de Competitividade


Muito falamos sobre o Custo Brasil e utilizamos seus indicadores como sinônimo de competitividade. E o são, mas não somente. Devemos considerar, também, o custo do alijamento democrático.

A atividade de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) é instrumento do pleno exercício da democracia. Para além de monitorar as etapas de construção de políticas públicas, obter informações detalhadas, negociar e influenciar o processo de decisão é crucial para a manutenção da competitividade de cada segmento econômico. Estar apartado desse processo, sem exercer protagonismo e respeito ao que lhe é particularmente importante, é a receita para o escanteio.

É apenas em sociedades democráticas, com instituições sólidas e transparentes, que as atividades de RIG conseguem ser desenvolvidas em sua plenitude. Seja nacional ou internacionalmente, absolutamente tudo está interligado - aspectos burocráticos, tributários, logísticos, ambientais, comerciais, tecnológicos - e impacta na competitividade de seu negócio. Não é opcional.

Uma assessoria adequada de RIG oferecerá informações, recomendará sua utilidade e aplicabilidade e a maneira mais adequada de obter detalhamentos e atualizações, além de indicar os canais oficiais pertinentes para desenvolver discussões e criar as estratégias adequadas para defender seus interesses, por meio de materiais e reuniões assertivos e de qualidade. Não é suficiente ter a informação, é crucial transformá-la em ganho de competitividade, identificando os responsáveis pela condução das discussões e aqueles que detém o poder de decisão.

Dispor da informação e utilizá-la da forma adequada, contudo, é tão importante quanto saber o momento, as possibilidades e a maneiras efetivas de intervir, participando e contribuindo ao processo de construção de políticas públicas.

Mapear e revisitar periodicamente os pontos de sensibilidade do seu negócio é fundamental para o endereçamento eficaz dos trabalhos. Ademais, é bastante válido o exercício de avaliar se o esforço por meio de um coletivo – seja via Entidades de Classe ou outros grupos relacionados – pode trazer resultados mais robustos ou se sua demanda é, de fato, singular. A provocação é fundamental para traçar o planejamento estratégico e o plano de ação - alguns exemplos de iniciativas podem ser relacionados: instrumentos de exceção à TEC, programas de incentivos tributários para desenvolvimentos tecnológicos, participação em negociações internacionais, entre outros.

Também são decisivos o mapeamento de stakeholders, o perfilamento dos agentes envolvidos no processo decisório, a sinalização das forças e interesses contrários e similares aos seus. Nesse sentido, a adequação do discurso e o endereçamento da mensagem são fundamentais para gerar resultados mensuráveis.

Fato é que, pela evolução tecnológica, muitas informações já são publicizadas, estando abertas ao público. A chave da transformação é, mais do que acessá-las, interpretá-las, identificar tendências e aquilo que está subliminar à interpretação do observador não especializado, além de trabalhar para potencializar as oportunidades de crescimento e desenvolvimento socioeconômico ambientalmente sustentável.

O luxo de não priorizar RIG é o principal ingrediente para minar qualquer planejamento empresarial e deixar seu negócio fora do jogo. A única garantia será o prejuízo estrutural. Não vale o risco.


Adriana Benatti – CEO BASE SSB Consulting


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