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Dados que vão te convencer a advogar HOJE pela a equidade de gênero

Por Beatriz Gagliardo*

“Não haverá futuro feminino se as mulheres forem menosprezadas no presente”. Essa frase é da Think Olga e reflete bem o por quê devemos falar e batalhar pela equidade de gênero e pelo empoderamento feminino.


Não é possível permanecer inerte diante dos números alarmantes da diferença em nossa sociedade entre homens e mulheres, e dos mais diversos tipos de violências.


Em 2020, a cada oito minutos uma mulher no Brasil foi vítima de assédio sexual e um total de 37,9% das brasileiras sofreram algum tipo de assédio. Também em 2020, 12,8% das brasileiras foram alvo de comentários desrespeitosos no ambiente de trabalho.


Segundo dados da ONU Mulheres, infelizmente, essa violência é generalizada e sistemática em alguns países. E o pior, essa violência quando gerada contra uma mulher que ocupa cargo público ou de decisão impacta significativamente na vontade e desejo de jovens mulheres trilharem os mesmos caminhos. Esse desincentivo reflete diretamente nos direitos políticos das mulheres.


Já dados do Observatório de Igualdade de Gênero da América Latina e do Caribe colocam o Brasil como o líder em números absolutos de feminicídios da Região Latino-América. Só para registro, em 2020 17 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência, e, somente,11% buscaram apoio nas autoridades.


Que existe desigualdade de gênero entre homens e mulheres no Brasil sabemos e os dados estatísticos estão aí para nos lembrar: Até 2020, segundo o Gender Report Gap, do Fórum Econômico Mundial, levaríamos 99,5 anos para atingir a paridade de gênero. Mas com a pandemia da Covid-19, esse gap aumentou para 135,6 anos, enquanto em termos de diferença econômica de gênero, levaremos mais de 267 anos para atingir essa paridade.


Isso porque também as pesquisas mostram que as mulheres ganham em média 30% menos que os homens. No entanto, no ambiente de trabalho, não é somente a diferença financeira que assusta. Dados do Think Olga apontam que outras externalidades negativas impactam a equidade de gênero, tais como assédio; dificuldade de contratação e manutenção no emprego após maternidade e de acesso às posições de gestão e liderança.


Bem, mais uma vez vamos olhar para os dados: uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que o absenteísmo entre homens e mulheres ao longo da carreira é semelhante, diferenciando-se pelo motivo apenas da licença maternidade, cujo custo do período é absorvido em grande parte pelos programas governamentais.


Diante deste cenário, vale a reflexão: o que está acontecendo com a carreira das Mulheres? Dados da pesquisa "Women in a Workplace 2022”, realizada pela Mckinsey & Company 2022, em parceria com a LeanIn.Org,divulgados em setembro deste ano, mostram que pelo oitavo ano consecutivo as mulheres estão sendo menos promovidas em comparação aos homens nas posições de gerência. Isso gera uma pirâmide de ascensão de carreira desigual entre homens e mulheres.


Ora, se vemos menos mulheres em posição de liderança, se as mulheres que estão nesses cargos por vezes sofrem algum tipo de violência ou desrespeito, e ainda considerando o que vimos no início do texto que essas violências desestimulam mais mulheres a buscar tais posições, inferimos que a curva de desigualdade aumente ainda mais se não fizermos nada para mudar isso.


Outro dado que merece atenção, apresentado pela pesquisa da Mckinsey / LeanIn.Org, é o aumento da taxa de lideranças saindo de companhias. A cada mulher promovida ao cargo de Diretoria, duas saem das empresas da onde trabalham. E aí perguntamos mais uma vez, o que está acontecendo? Parte do motivo, segundo a pesquisa, é o “teto de vidro”, fator que existe e que dificulta as mulheres a ascenderem mais em suas carreiras. Elas relataram que a falta de oportunidade para avançar nas carreiras, o trabalho não reconhecido e a falta de apoio da gerência estão dentre os fatores.


Vieses inconscientes nos locais de trabalho, estruturas comportamentais de preconceito enraizadas e tratamentos diferenciados estão dentre os fatores organizacionais que estão repelindo as mulheres.


Mas ora, por que então é importante batalharmos por mulheres no mercado de trabalho?


Hoje, 45% das mulheres sustentam as famílias brasileiras. Sim, somos muitas.

Segundo o estudo da McKinsey “O Poder da Paridade: Como Avançar a igualdade de Gênero”, globalmente, se todos os países adotassem a paridade salarial, seriam injetados na economia mundial US$ 12 trilhões até 2025, o que equivale ao PIB dos EUA e China juntos. Uau! E no Brasil, nosso PIB aumentaria em 30% em 2025, com uma injeção de US$ 850 bilhões em circulação na nossa economia. Parece bom, não é mesmo?


E os impactos individuais para as empresas? Os estudos mostram que empresas com equipes executivas equânimes tem 14% chances mais de performar melhor que a concorrência (McKinsey - Diversity Matters, 2020); que conselhos mais diversos têm retorno financeiro 15% mais alto (Bank Of America, 2020); e que mais mulheres no mercado de trabalho, empoderadas, constroem economias mais fortes, com melhora de qualidade de vida para todos, homens, crianças e mulheres, e sociedades mais justas e estáveis (WEP - Princípios de Empoderamento das Mulheres - ONU Mulheres).


Além disso, está mais do que comprovado que mulheres no ambiente corporativo melhoram o clima organizacional, contribuindo para a retenção de talentos, possuem maior flexibilidade de tendência a cooperação, empatia e maior desenvoltura no relacionamento interpessoal.


Vale lembrar que a equidade de gênero está na agenda 2030 da ONU, dentre os objetivos de desenvolvimento sustentável, com diretrizes de ação. O item 5 da agenda busca a igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas, atacando as formas de disriminação, todas as formas de violência, a garantia plena e efetiva das mulheres nas posições de decisões econômicas, políticas e públicas.


Sabendo de tudo isso, as mulheres são fundamentais para a economia, uma sociedade justa e, pelo visto, todos serão beneficiados, mas essa busca requer ainda muito esforço. É por esse motivo que empoderar as mulheres em todas as carreiras, não só no ambiente / ou na esfera das Relações Institucionais e Governamentais (RIG) é fundamental, assim como coibir todas as formas de discriminação e preconceito, também.


Todos somos aliados nesta causa. E nós, em RIG, somos parceiros fundamentais, por estarmos liderando muitos assuntos importantes junto aos governos e em nossas empresas. No livro de minha organização e coautoria, Relações Governamentais sob a Ótica Feminina, lançado pelo Irelgov em 2021, coloco 4 pilares de ações que podemos adotar para melhorar a equidade de gênero, e eles passam pela educação, conversa, empoderamento e eliminação das violências contra mulher.


Para as empresas, a ONU Mulheres também possui um programa com os Princípios de Empoderamento das Mulheres, com sete pilares que valem a pena serem destacados que vão desde a sensibilidade da liderança corporativa ao tema, a forma justa de tratamento no ambiente de trabalho, a educação e desenvolvimento no tema, a promoção de políticas internas de empoderamento feminino.


Bem, motivos e dados não faltam, certo? E então? Te convenci.


Vamos junta(o)s nessa?


Beatriz Gagliardo é Presidente da Associação Mulheres Relgov+ e Head de Relações Governamentais e Acesso Público na Árvore. Organizadora e coautora do Livro Relações Governamentais sob a Ótica Feminina, lançado pelo Irelgov em 2021.



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